Doenças Crônicas não Transmissíveis: propostas para o cenário brasileiro

Cenário das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNTs)

As Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNTs) são um dos principais desafios para o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Essas condições são responsáveis por 71% de mortes em todo o mundo, especialmente em países de baixa e média renda, como é o caso do Brasil, e consomem uma parcela significativa dos gastos com saúde – cerca de 60% (OMS, 2018).

Segundo o Panorama “Linhas de Cuidado de Doenças Crônicas não Transmissíveis na Atenção Primária à Saúde”, relatório que analisa o manejo das Linhas de Cuidado (LC) de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) nos municípios brasileiros e foi realizado em parceria pelo IEPS e pela Umane, existe uma lacuna entre as LC (fluxos assistenciais que garantem o atendimento adequado aos usuários) expresso nas diretrizes e as que são efetivamente implementadas nas unidades de saúde pelos gestores/as e profissionais daquele território. 

A melhora do manejo das DCNTs é uma das formas mais efetivas de promover qualidade de vida para a população brasileira e perpassa pela implementação correta das Linhas de Cuidado. A partir de soluções implementadas nos municípios brasileiros, o panorama levanta soluções para o cenário.

4 propostas para melhorar o manejo das Doenças Crônicas não Transmissíveis

Existem várias causas para os desafios relacionados às LC de DCNTs: dificuldades de acesso aos serviços de saúde, falta de profissionais capacitados, fragmentação da coordenação entre os serviços, falta de acompanhamento adequado dos usuários, falta de cadastramento dos usuários no SUS e o processo lento de informatização da Atenção Primária à Saúde são alguns dos problemas identificados. 

Para superar esses desafios são necessárias soluções como ampliar a cobertura da Atenção Primária à Saúde (APS), capacitar profissionais de saúde, promover programas de acompanhamento para a população e incentivar o cadastramento dos usuários.

1- Ampliar a cobertura da APS

Para garantir a cobertura e o acesso a equipamentos e serviços de saúde aos usuários, é necessário mapear a cobertura atual, identificar os locais que não estão cobertos e identificar os territórios de maior vulnerabilidade. A partir desses processos, realizar um planejamento de expansão, construir estruturas físicas e contratar uma equipe de saúde da família.

Já para o aumento do acesso aos serviços já existentes, é importante estender o horário e dias de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e promover diferentes meios de comunicação entre as unidades e usuários e entre usuários e profissionais de saúde. Outra ação positiva é fomentar iniciativas de rastreamento das DCNTs por meio de visitas domiciliares, abordagem em lugares públicos, aconselhamento e atividades de educação em saúde in loco.

2-  Capacitar profissionais de saúde

Investir em equipes multidisciplinares e em capacitação para atuarem no setor público (com DCNTs) é fundamental. Nesse sentido, é imprescindível adotar diretrizes e políticas de valorização e fortalecimento da APS, como planos de formação com ênfase em especificidades de APS por meio de especialização e/ou residência em saúde da família; formação em serviço em parceria com universidades, núcleos de telessaúde, centros de pesquisa e o terceiro setor, além de incorporar em graduações e cursos de saúde conteúdos sobre ciências comportamentais. 

Outra ação de destaque é disseminar informações de qualidade para fomentar os municípios a desenvolverem metodologias e mecanismos de controle mais ativos para garantir a correta adesão aos protocolos de trabalho recomendados.

3- Acompanhamento dos usuários

Alguns dados demonstram que a taxa de acompanhamento dos usuários do SUS com hipertensão, por exemplo, é muito abaixo do esperado. Realizar programas de orientação e educação com a população sobre um indicador que esteja ruim é extremamente eficiente.

Outras ações que podem ser adotadas para melhor o acompanhamento da pessoa com DCNT é realizar programas de acompanhamento como palestras e rodas de conversa; fomentar atividades que visem a mudança de hábito e organizar mutirões, como na hipertensão, para aferição de pressão.

4- Adesão ao tratamento por parte dos usuários com DCNTs 

A adesão aos tratamentos é um modificador importante da eficácia do sistema de saúde. Além do foco do paciente, outros fatores são fundamentais para garantir a aderência ao tratamento como o apoio da família e comunidade e uma abordagem multidisciplinar que promova uma escuta reflexiva sobre as demandas culturais e psicossociais.

Apesar do modelo de cuidado dos crônicos girar em torno dos profissionais de medicina, a literatura da área de saúde indica que as enfermeiras são indispensáveis na implementação desse modelo de cuidado. Por serem o primeiro e mais consistente ponto de contato para os pacientes, estão na melhor posição para reunir informações sobre a família do paciente, fatores sociais, culturais e econômicos.

Ademais, são qualificadas em avaliação, cuidados contínuos, educação e suporte familiar, isto é, possuem condições de promover educação e ajudar os pacientes a desenvolverem estratégias de prevenção e tratamento.

Conheça o Cuidando de Todos, umas das iniciativas apoiadas pela Umane que ajuda gestores e profissionais de saúde no manejo das DCNTs no Brasil

Criado para aprimorar as ações de rastreamento, detecção precoce, tratamento e controle de pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade e colesterol, o projeto Cuidando de Todos disponibilizou na plataforma digital e-saúde SP uma ferramenta de estratificação de risco cardiovascular que calcula rapidamente o risco de doenças cardiovasculares nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o Plano de Autocuidado Pactuado (PAP), que fomenta a corresponsabilização do paciente nas ações de controle das doenças. 


*Inspirada na iniciativa Better Hearts, Better Cities e incubada pela Fundação Novartis em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e executada pelo Grupo Tellus.

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